segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Visitação ao abrigo Fabiano de Cristo

Estava começando a ficar complicado escrever sem poder colocar nomes. Ainda mais nessa fase da visitação, quero poder usar o nome das crianças para detalhar. Então coloquei o blog privado e agora só eu mesma devo conseguir ler! Afinal, a ideia é isso ser um diário pra mim mesma e não um guia pros outros.

Bem, tudo começou quando acordamos cedo, eu fui tomar um banho e o Bizinho foi preparar o café. Pra minha surpresa ele colocou a mesa para termos um café da manhã completo e com calma. No caminho, o que era pra ser um coisa bem rápida acabou tornando-se um pouco demorada, pois havia uma feira horrorosa bem no nosso caminho.

Chegando lá paramos um pouco distante, fomos até o abrigo e tocamos a campainha. Ouvimos a voz da Silvana. Entramos e já vimos logo duas crianças na porta. Uma bem escurinha que cantava algo que não entendemos e um menino bem pequenininho chamado Josué. Uma das meninas que estava sentada começou a falar do perfil dela:
- Nosso perfil é irmãos.
-Ah - disse a Silvana - que bom.
Aproveitei a chance:
- Nós queremos 3.
A Silvana deu uma pausa pra pensar:
- Que idade?
- Até nove.
Mais uma pausa dela.
- Em que etapa vocês estão?
- Só falta essa visita e os estudos.
Mais um tempo dela pensando.
- Tem muitos grupos de 3 irmãos. Tem branco, tem negro, pardo.
- Nosso perfil é cor indiferente.
A outra mulher voltou a se intrometer:
- O meu também.
A Silvana então disse que ali haviam dois grupos de 6 irmãos. (O que acho difícil porque não contamos tanta criança assim.)
Logo abriu a porta e as crianças correram. Demorei a entender que era pra ir pra lá. Ainda fui deixar minha bolsa e os papéis em cima do banco. Quando olhei cada mulher estava com uma menina e os meninos estavam todos jogando bola. Sobrou só o pequenininho, o Josué. Eu não queria passar a ideia de que eu queria pequeno, então tentei não me aproximar. Mas ele era o único sozinho e uma menina bem alta estava com ele. Perguntei a ela:
- Qual seu nome?
- Yasmin.
- E você? - perguntei ao pequeno.
- Josué.
- Vocês são irmãos? - perguntei a Yasmin.
- Não, eu sou filha da tia.
O Josué estava grudado em uma escavadeira de brinquedo. Não queria largar. Logo ele se distanciou e um menino um pouco mais velho, mas com a mesma carinha chegou. Fui tentar me aproximar e até joguei bola com ele, mas a Silvana chegou perto pra tirar foto e ele saiu. Todo mundo estava com uma criança menos eu e um rapaz de óculos que não gosta de jogar bola. Aí a Silvana gritou pra gente:
- Tem dois aqui ó. Tristinhos.
Fomos lá e o rapaz ficou conversando com o mais velho e eu me aproximei do Josué. Coloquei logo ele no colo, mas a tal menina grande veio e disse pro Josué:
- Vem brincar de bolhinha de sabão.
E tirou ele de mim.
Eu fui meio que atrás e chegando no pátio, ao lado dele, ele me deu a mão.
Logo depois jogaram uma bola bem forte na direção dele. E apesar do meu medo, tive o reflexo de protege-lo. Coloquei a mão na frente, evitando que a bola o acertasse.
Fui até o local com as bolhinhas e coloquei ele no colo pra que ele pudesse brincar de estoura-las. Dançamos, falei pra ele pisar no meu pé pra poder dançar juntos.
Depois fiquei bem cansada, estava muito calor e sentei com ele no colo. Ficamos brincando de bater as mãos e os punhos. Ele estava se divertindo. Dos grandes, tinha um que eu havia simpatizado de longe. Chamei ele, ele sentou no meu colo e eu falei que eu havia visto ele jogando bola.  Ele logo levantou e voltou a jogar bola.O tal rapaz de óculos continuava do meu lado. A Lucia então cochichou no meu ouvido que eu não poderia ficar com uma criança só. Por mais que tenha me doído o coração, coloquei o Josué no colo do tio de óculos (que ficou totalmente perdido quando eu fiz isso) e fui falar com uma menina desdentada que estava com carinha de triste.
- Vamos dançar?
- Não, não quero.
Eu balançava ela, mas ela tava realmente sem vontade.

Elogiei as unhas pintadas de rosa dela e ela acabou se empolgando. Sentou na minha perna e pegou meus óculos.
- Por que você usa óculos?
- Porque eu não enxergo muito bem sem eles.
Ela então me levou pra um canteiro onde havia uma árvore de acerola. Me pediu pra pegar algumas pra ela mas eu não alcançava. Coloquei ela no colo, pra ver se ela pegava mas quase caímos juntas. Brincamos de andar sem cair no canteiro. Depois uma mulher mais alta apareceu, pegou as que ela queria e ela se dispersou.
Percebi que o pessoal estava entrando por causa do lanche. Fui ajudar a Silvana, servindo suco de uva para as crianças. Assim acabei conhecendo a Júlia, que ficou surpresa de saber que meu nome era igual ao dela, Também conheci o Marcelo, que estava jogando bola com o Bi, o Cleyton, um grandão branquinho, e servi também as crianças que eu já havia conhecido, como o Josué, o João (irmão do Josué) e a menina desdentada.
Após o lanche fomos ganhar o carimbo e assim terminou nossa visita. Ao nos despedir os meninos pareceram não querer que o Bi fosse embora.
Acho que nunca vi o Bizinho tão feliz na vida. Ele estava empolgado, radiante, adorou todos os meninos, gostou da Marcela também.
Ficamos a manhã e a tarde toda falando do assunto, contando um pro outro dos detalhes. E ele me disse que com certeza o perfil dele é de criança maior. Quando disse a ele que levarei aquelas crianças ao teatro no dia 29 ele ficou louco pra ir,
E hoje tem o encerramento. A festinha de aniversário do grupo e também nossa festinha de encerramento de carimbos! Depois trago mais notícias.



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