domingo, 30 de outubro de 2016

Contando a novidade pra família

Então, eu já tinha contado pra minha mãe. Minha tia e minha prima haviam descoberto por causa do facebook. Tinha faltado contar pra minha irmã. Eu ão sabia como isso ia acontecer. Não queria que ela ficasse sabendo por ninguém.
Ela ligou eu estava preparando um mapa de papel pra mover os móveis. Só queria bater papo, disse.
Falamos sobre o tempo, até a hora que ela perguntou do meu trabalho. Aí resolvi tomar coragem e contar logo.
- Ah! Legal! - disse ela. - Vocês vão adotar bebê?
- Não, já maiorzinho.
Conversa vai conversa vem.
- Vamos adotar irmãos.
- 2?
- 3.
- Vocês endoidaram? Como é que vocês vão fazer? Tem espaço? Vocês vão dar os gatos?
Em um ponto ela se acalmou e eu comecei a falar sobre como funciona o processo, sobre os detalhes todos. Ficamos pelo menos uma hora e meia no telefone. No final ela disse que achou muito legal e desejou muito sucesso pra gente!
=)


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

9 semanas

Gosto de pensar que minha gravidez do coração vai levar 9 meses, como se fosse uma gestação tradicional. A tradicional leva entre 36 e 40 semanas, e já estamos na semana número nove!
O melhor de tudo isso é não ter que passar pelos efeitos colaterais, como se sentir uma gorda (se bem que muitas vezes eu sinto isso), ver a barriga crescer, sentir seus órgãos comprimidos por causa do bebê, os enjoos e vômitos, ficar toda inchada, o parto em si que é um dos meus maiores medos, amamentar, sentir dor nos seios, ficar com os seios todos rachados, leite empedrar, pontos na barriga por causa da cirurgia, nossa! Isso é pra quem quer muito um bebê. E eu acho bebês muito pequenos tão chatinhos. E ainda tem os medos do depois que nasce acabar tendo alguma fatalidade. É demais pra mim realmente. Dizem que Deus só dá aquilo que a gente consegue suportar né? Vai ver que isso eu não suportaria. E como eu sou louca pra ter 3 filhos, jamais passaria por esse mesmo processo 3 vezes. Tá doido! A única forma mesmo de eu conseguir realizar meu sonho é adotando.

Mudando de assunto, ontem eu recebi uma ligação da menina que ia organizar o passeio das crianças no teatro. Ela disse que muita gente tinha ido pra casa ou sido adotado e assim havia sobrado só 7 crianças. O problema é que tinham 7 carros pra levar estas 7 crianças. Achei que ela fosse deixar por ordem de quem se voluntariou primeiro mas ela deixou os 7 carros. Na lista das crianças estava o Josué, que descobri ser irmão do Yan. Acho que naquele dia da visita eu brinquei com os irmãos. A menina também era irmã deles. Duas ou três pessoas voluntariadas já estavam tomando conta de todo o lanche de tudo que tinha que levar inclusive um ia levar o Josué. Eu me apeguei aquele menininho, melhor eu não ir. Escrevi pra menina que organizava e avisei que eu não iria. Já foi difícil naquele dia largar dele eu não sei como seria esse passeio. É melhor ter mais crianças que adultos. Em cada carro poderia haver dois adultos. Já pensou? Eu ia acabar sobrando de novo. Não, obrigada. Prefiro voltar a minha rotina e ficar no meu mundinho. Me acorde quando meus filhos chegarem.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Fila das entrevistas andando

Ontem meu aluno me falou que foi chamado para entrevista em Novembro! Excelente! Se ele já foi chamado, o tempo de espera é mais ou menos ... vamos ver... ele entregou os papéis em maio, mês 5, e ligaram pra ele em Outubro. Entre 5 e 6 meses.
Eu devo ser chamada em Março pras entrevistas. Tudo depende do quanto esse mutirão de entrevistas pretende fazer. Eu bem poderia ser chamada em Janeiro né? Ia ser rapidinho.
Quando ele me contou eu cheguei a ficar toda arrepiada. Enquanto eles não fossem chamados eu sabia que eu não seria também. Um passo deles foi praticamente um passo meu.
Agora vem meu aniversário e Natal. Eu também já estou conseguindo ajeitar a casa pra receber minhas crianças, isso deve me distrair bem.
Um abraço e até amanhã!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

2 meses

Hoje completam dois meses desde a nossa decisão e ação. Parece pouco quando me falam: Dois meses eu penso: Nossa foi agora há pouco. Mas nessa jornada já mudamos de perfil, já começamos a mudar a casa, já pensamos e repensamos sobre o assunto.

Ontem fui com a mamãe lá na Osvalmira. Eu não ia me consultar, só ia fazer companhia mesmo. Aí a mamãe disse que a Osvalmira está toda feliz com a chegada dos meus 3 filhotes. Falando que vão ser pacientes dela. Ué, por que não?

Hoje vão vir os rapazes pra instalar minha janela de cozinha e consertar a do banheiro. Vamos ver se acaba com essa novela que está desde que nos mudamos há 4 anos atrás. E acho interessante ter tudo direitinho pra quando a assistente social vier fazer a visita.

Nesses últimos dias a mamãe tem me feito mais perguntas sobre adoção. Ontem ela me perguntou se eu gostasse mais de 2 crianças do que de três se eu poderia trazer as que eu gosto mais ao invés de ficar presa no número. Também já começamos a conversar sobre a organização da casa. Ela me perguntou se vai ser beliche. Eu disse que sim, beliche com cama auxiliar.

Falando em móveis, conversei com uma menina que conheci no Skina sobre trocarmos a minha mesa da sala por uma cama com auxiliar que ela tem. Conversei com o Bizinho e ele até gostou da possibilidade. Seria um gasto a menos mas também iria ser talvez uma situação com a terceira criança. O lado bom é que a cama com auxiliar deve valer mais do que a mesa. Mas vamos ver porque ela ainda tem que me mandar a foto.

Sobre o computador ficar na sala estou até gostando. Estou usando ele hoje, E o Bi usou ontem. Até entrou no meu face! rsrs

2 meses tem que ter festa! Tem que ter bolo! Tem que ter presente!!! No primeiro mês compramos os futtons. Qual será o presente de 2 meses?

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Começam as mudanças na casa

Sábado durante o shopping com a mamãe, cheguei a conclusão de que é bom eu separar em kits, os Playmobis que vou dar pra eles. Não vai dar pra montar as coisas no dia, então tem que estar tudo bem arrumado e organizado desde bem antes. Comecei a separar as coisas que eu quero pra mim no Domingo. Ontem tive uma ideia de organização que não havia me ocorrido anteriormente. Colocar o computador do Bi na sala, tipo o computador da família. Assim quando as crianças forem usar a gente pode ficar de olho no que estão fazendo. 
Eu tentei primeiro colocar as duas mesas de computador no quarto. Tinha ficado lindo, mas infelizmente não tinha espaço pras cadeiras.
Então resolvi colocar na sala. Estamos em tempo de experiência com ele aqui na sala. Ainda tem muita coisa pra organizar e ajeitar.
Também pensei em talvez pegar aqueles armários na cozinha e colocar no quarto. E os móveis de cozinha que estão lá em cima, colocar na cozinha. O balcão, o paneleiro, etc. Lá pra cima subiria uma estante, pra guardar os pratos, copos e talheres de festa.
Uma ideia que tem que ser bem planejada foi de colocar o armário que hoje está no quarto das crianças no nosso quarto. Com a cama no meio. E colocar um armário menor no quarto das crianças.
Mas ontem medimos e acho que não tem espaço.
Falando em ontem, a Lucia me escreveu perguntando sobre meu processo. Acho que ela tinha 3 crianças pra mim! ;)
Continuarei pensando sobre a casa e em breve entro em contato de novo!
Abraço!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

8 semanas

Mas hein? Oito? Acho que não vi a sétima passar. rsrs
Então, novidades quase nenhuma. A partir de agora estamos esperando a marcação das entrevistas.
Quarta feira eu fui na primeira reunião lá da Freguesia. Depois de muito sofrer pra achar o lugar, o marido da Elena foi lá me encontrar e ainda me deu o assento dele, ao lado da Elena.
Aproveitei pra ser cara de pau e perguntar diretamente pra Ana Lucia (psicóloga? Assistente Social?) sobre o tempo de espera até ser chamada pra entrevista. Aproveitei é claro pra deixar escapar meu perfil né. Ela enfim respondeu 4 meses. Disse que vão fazer um mutirão pra conseguir andar mais rápido, porque eles estão meio atrasados.
Aí ontem caiu a ficha, que, uma vez os estudos prontos, já podemos começar a procurar, certo? Então mais 4 meses pra conhecermos nossos filhos? Quem sabe? E a partir daí aproximação de sabe se lá quanto tempo pra poder vir pra casa (o que é uma coisa que já depende de nós e nossa disponibilidade), podendo ser de imediato.
O tempo deve passar rápido, mas enquanto não passa, eu tava tentando com a Virna, ser voluntária nas visitações. Ela ontem me deu o ok pra ir nesse domingo mas depois voltou atrás e falou que tem outro casal querendo a mesma coisa. Mas ela sabe que nós somos profissionais. Temos que fazer nosso melhor pra deixar eles no chinelo. hehehe. Se uma ou duas vezes por mês tiver um evento assim, o tempo vai passar bem mais rápido!
Enquanto isso, outras preocupações, do tipo: O que que eu faço com tanto playmobil aqui??? Eu amo meu Playmobil. Eu sei que depois vai ser deles, mas eu amo demais meus bonecos e tenho tanto medo deles estragarem. Comprei com tanto carinho, criei histórias, personalidades. E o medo de depois me arrepender? Nossa. Esse é um assunto muito doloroso. Já pensei em comprar uma cama box baú pra guardar eles, mas uma com espaço bom custa mil reais. Eu não tenho mil reais sobrando.
Enfim, ta aí uma coisa pra resolver nessa próxima semana.
Um beijo pra Júlia do futuro. ;)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Entregando a Ficha de Presença

Ontem fomos levar a ficha já toda carimbada até o fórum. Foi tudo muito simples, eu já havia preparado a xerox, foi questões de poucos minutos mesmo. Entramos, entregamos, o rapaz fez a inclusão e me passou o protocolo. Pronto! O que demorou mais foi ir e voltar. E o calor... nossa! Estava de matar!

Já conta no site que tem coisa pra adicionar ao processo, ó:

Classe:Habilitação para Adoção
 
 
Tipo do Movimento:Remessa
Destinatário:Assistente Social
Data da remessa:14/10/2016
Prazo:15 dia(s)
 
 
Processo(s) no Tribunal de Justiça:Não há.
 
Existe petição/ofício a ser juntado ao processo.
18/10/2016  - Protocolo  201607374682  -  Prog   Regional de Madureira
 
Localização na serventia:Com Serv. Social
 

Agora precisamos nos distrair um pouco. Fazer um pouco de trabalho voluntário, arrumar a casa, preparar pra chegada dos meninos, baixar mais músicas e filminhos infantis, juntar dinheiro, esse tipo de coisa.
Hoje tem uma reunião de um grupo novo que está começando lá no Loreto. Eu quero ir, só tem que ver se o Bi não vai desistir de ir na ultima hora... Devo ir logo após o trabalho!

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Festa de Encerramento

É claro que de verdade, era uma reunião e os comes e bebes eram devidos a celebração de 7 anos do Grupo, mas pra nós, aquilo era uma festa de encerramento.
Pra começar, logo cedo comecei falando com a Virna sobre fazer bolamania pras crianças de abrigo e pintura no rosto, mão, etc. Também mencionei que temos som e ela gostou muito da ideia. Preparei o terreno porque a noite eu iria falar com ela sobre o assunto.
Fui almoçar na casa da mamãe, risoto de frango com damasco, hummm... Depois fiquei só aguardando dar a hora. Os muffins já estavam prontos, copinho e pratinho descartável separados, envelope pardo quase destruído com nossa ficha de presença, ... tudo aguardando.
Quase na hora do Bizinho chegar vi aquilo que postei no último post. Que estava já nas mãos da assistente social.
Ele chegou, tomou um banho e fomos. Estava marcado às 19h, mas chegamos às 18h. Entregamos a ficha de presença, pagamos o estacionamento. Ao entrar já falamos com a Lúcia e a Silvana. Escolhemos no sentar bem próximo ao ventilador, estava bem quente o dia. A Dra. Monica sentou bem na nossa frente. Mais tarde a Elena chegou, mas não me viu. Eu e Bi estávamos logo na segunda fileira. Aproveitamos pra perguntar à Silvana a situação do Marcelo, que estava no abrigo do dia anterior, ela então disse que era um grupo de 6 irmãos: o dançarino (Ian), a escurinha, uma menina, um menorzinho, e ela logo cortou dizendo que a situação deles ainda estava sendo resolvida. Quem sabe até lá a nossa situação também já não esteja resolvida?
Durante a reunião, além dos agradecimentos todos, teve uma explicação do que era família acolhedora e eles precisavam de 5 voluntários pra demostrar um negócio lá. Meu intuito é ter visibilidade. O povo saber quem eu sou, saber meu nome, meu rosto, meu perfil. Que ideia maravilhosa me voluntariar, não? Olhei pra trás, ninguém tinha sido voluntário. Eu levantei a mão e fui. A ideia era ter em mente seu perfil e ganhar uma boneca que poderia ou não, ser o que você esperava. Eu ganhei uma boneca já grande, menina, parda ou negra, com cabelo liso. Olhei pro lado e minha colega tinha ganhado duas crianças. Quando perguntaram pra mim por que não era meu perfil eu disse que era porque eu queria 3. Pronto! Visibilidade. Era isso o que eu buscava.

No final da reunião passou-se aos comes e bebes. Pegamos nossa ficha de presença, que faltava um carimbo e tive que chamar a Lucia para assinar no lugar certo, ela havia assinado atrás. Enquanto isso eu falava com ela sobre o que eu havia falado com a Virna anteriormente, sobre as visitas, a bolamania, o som. Ela também gostou muito. Conheci também a esposa do meu aluno.
Conversamos com a Elena bem pouquinho, ela parecia ainda mais introvertida e eles logo foram embora. Peguei nossa bandeja, comecei a comer bolo e beber guaraná.
Quando decidimos ir embora fui falar com a Virna, que me garantiu que a bolamania pra esse domingo estava de pé. Dei um abraço na Silvana, mandei um beijo de longe pra Lúcia e voltamos pra casa.
Missão cumprida!


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Alegria! Alegria!

Mais uma vez andou.

Eu nem esperava porque não estava ainda na hora de andar, mas olha só:

Já está com a assistente social, ou indo pra lá, não sei!!!!

Feliz, feliz, feliz!!!!


Não consigo nem ligar pro Bi pra falar pra ele, me embananei toda com o celular de tanta emoção!
Tô sem crédito e não tô conseguindo ligar. Quase explodindo de alegria aqui!!! =)

Visitação ao abrigo Fabiano de Cristo

Estava começando a ficar complicado escrever sem poder colocar nomes. Ainda mais nessa fase da visitação, quero poder usar o nome das crianças para detalhar. Então coloquei o blog privado e agora só eu mesma devo conseguir ler! Afinal, a ideia é isso ser um diário pra mim mesma e não um guia pros outros.

Bem, tudo começou quando acordamos cedo, eu fui tomar um banho e o Bizinho foi preparar o café. Pra minha surpresa ele colocou a mesa para termos um café da manhã completo e com calma. No caminho, o que era pra ser um coisa bem rápida acabou tornando-se um pouco demorada, pois havia uma feira horrorosa bem no nosso caminho.

Chegando lá paramos um pouco distante, fomos até o abrigo e tocamos a campainha. Ouvimos a voz da Silvana. Entramos e já vimos logo duas crianças na porta. Uma bem escurinha que cantava algo que não entendemos e um menino bem pequenininho chamado Josué. Uma das meninas que estava sentada começou a falar do perfil dela:
- Nosso perfil é irmãos.
-Ah - disse a Silvana - que bom.
Aproveitei a chance:
- Nós queremos 3.
A Silvana deu uma pausa pra pensar:
- Que idade?
- Até nove.
Mais uma pausa dela.
- Em que etapa vocês estão?
- Só falta essa visita e os estudos.
Mais um tempo dela pensando.
- Tem muitos grupos de 3 irmãos. Tem branco, tem negro, pardo.
- Nosso perfil é cor indiferente.
A outra mulher voltou a se intrometer:
- O meu também.
A Silvana então disse que ali haviam dois grupos de 6 irmãos. (O que acho difícil porque não contamos tanta criança assim.)
Logo abriu a porta e as crianças correram. Demorei a entender que era pra ir pra lá. Ainda fui deixar minha bolsa e os papéis em cima do banco. Quando olhei cada mulher estava com uma menina e os meninos estavam todos jogando bola. Sobrou só o pequenininho, o Josué. Eu não queria passar a ideia de que eu queria pequeno, então tentei não me aproximar. Mas ele era o único sozinho e uma menina bem alta estava com ele. Perguntei a ela:
- Qual seu nome?
- Yasmin.
- E você? - perguntei ao pequeno.
- Josué.
- Vocês são irmãos? - perguntei a Yasmin.
- Não, eu sou filha da tia.
O Josué estava grudado em uma escavadeira de brinquedo. Não queria largar. Logo ele se distanciou e um menino um pouco mais velho, mas com a mesma carinha chegou. Fui tentar me aproximar e até joguei bola com ele, mas a Silvana chegou perto pra tirar foto e ele saiu. Todo mundo estava com uma criança menos eu e um rapaz de óculos que não gosta de jogar bola. Aí a Silvana gritou pra gente:
- Tem dois aqui ó. Tristinhos.
Fomos lá e o rapaz ficou conversando com o mais velho e eu me aproximei do Josué. Coloquei logo ele no colo, mas a tal menina grande veio e disse pro Josué:
- Vem brincar de bolhinha de sabão.
E tirou ele de mim.
Eu fui meio que atrás e chegando no pátio, ao lado dele, ele me deu a mão.
Logo depois jogaram uma bola bem forte na direção dele. E apesar do meu medo, tive o reflexo de protege-lo. Coloquei a mão na frente, evitando que a bola o acertasse.
Fui até o local com as bolhinhas e coloquei ele no colo pra que ele pudesse brincar de estoura-las. Dançamos, falei pra ele pisar no meu pé pra poder dançar juntos.
Depois fiquei bem cansada, estava muito calor e sentei com ele no colo. Ficamos brincando de bater as mãos e os punhos. Ele estava se divertindo. Dos grandes, tinha um que eu havia simpatizado de longe. Chamei ele, ele sentou no meu colo e eu falei que eu havia visto ele jogando bola.  Ele logo levantou e voltou a jogar bola.O tal rapaz de óculos continuava do meu lado. A Lucia então cochichou no meu ouvido que eu não poderia ficar com uma criança só. Por mais que tenha me doído o coração, coloquei o Josué no colo do tio de óculos (que ficou totalmente perdido quando eu fiz isso) e fui falar com uma menina desdentada que estava com carinha de triste.
- Vamos dançar?
- Não, não quero.
Eu balançava ela, mas ela tava realmente sem vontade.

Elogiei as unhas pintadas de rosa dela e ela acabou se empolgando. Sentou na minha perna e pegou meus óculos.
- Por que você usa óculos?
- Porque eu não enxergo muito bem sem eles.
Ela então me levou pra um canteiro onde havia uma árvore de acerola. Me pediu pra pegar algumas pra ela mas eu não alcançava. Coloquei ela no colo, pra ver se ela pegava mas quase caímos juntas. Brincamos de andar sem cair no canteiro. Depois uma mulher mais alta apareceu, pegou as que ela queria e ela se dispersou.
Percebi que o pessoal estava entrando por causa do lanche. Fui ajudar a Silvana, servindo suco de uva para as crianças. Assim acabei conhecendo a Júlia, que ficou surpresa de saber que meu nome era igual ao dela, Também conheci o Marcelo, que estava jogando bola com o Bi, o Cleyton, um grandão branquinho, e servi também as crianças que eu já havia conhecido, como o Josué, o João (irmão do Josué) e a menina desdentada.
Após o lanche fomos ganhar o carimbo e assim terminou nossa visita. Ao nos despedir os meninos pareceram não querer que o Bi fosse embora.
Acho que nunca vi o Bizinho tão feliz na vida. Ele estava empolgado, radiante, adorou todos os meninos, gostou da Marcela também.
Ficamos a manhã e a tarde toda falando do assunto, contando um pro outro dos detalhes. E ele me disse que com certeza o perfil dele é de criança maior. Quando disse a ele que levarei aquelas crianças ao teatro no dia 29 ele ficou louco pra ir,
E hoje tem o encerramento. A festinha de aniversário do grupo e também nossa festinha de encerramento de carimbos! Depois trago mais notícias.



sábado, 15 de outubro de 2016

7 semanas

Ontem completamos sete semanas. Incrível o quão longe já fomos desde o primeiro passo.

No mesmo dia da nossa comemoração de sete semanas também tivemos uma nova palestra. Não era brincadeira não, viu? A palestra começou às 10 e só acabou às 18h.



Ouvimos muitas pessoas diferentes, tais como os juízes da segunda e da quarta vara, psicólogos, advogados, até assistente social. Era também a inauguração de um novo grupo de apoio, que vai acontecer ali na Barra mesmo mas com uma coisa que adorei! Um horário alternativo! Pois todos os grupos de apoio até então eram no período da noite. Já este acontecerá no período da tarde.



Almoçamos o pior estrogonofe que já provei na vida. Era incrível como o arroz e até a batata palha eram ruins. Mas lá não haviam muitos lugares para almoçar. Tinha um buffet que não gostei da cara e esse quiosque com esse pratinho medonho.
A sala onde ocorreu a palestra estava muito quente. Então, antes do almoço eu já estava com um pouco de dor de cabeça, mas depois ela foi aumentando, até estar insuportável.  Foi com certeza a pior parte do dia. Sabe quando você nem consegue raciocinar? Até enjoo deu. Típica enxaqueca.

Quando saímos fomos até o Via Parque pra fazer algumas coisas que precisávamos. Primeiro de tudo, compramos Tylenol. Depois trocamos uma blusa que estava pequena nele, depositamos dinheiro no banco, compramos o bolo que vamos precisar levar pro abrigo amanhã e lanchamos na Brownieria.
Quando a dor de cabeça passou é que a ficha caiu: nós ganhamos dois carimbos naquela palestra. DOIS CARIMBOS!!!! O que significa que só falta o carimbo de domingo na visita e de segunda na festinha do grupo. Pra gente esta festinha vai ser tipo uma Graduation Party. E na terça levamos nosso papelzinho totalmente carimbado para anexar ao nosso processo.

Próximo passo: A visita ao abrigo



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Segundo Carimbo

Então, ontem ganhamos nosso segundo carimbo! Assistimos uma palestra sobre Histórias de Adoção e foi super legal. Eram 3 horas de palestra. A primeira hora e meia passou voando. Aí olhei no relógio.  A segunda hora e meia... bem...  também voou. rsrsrs

Achei super legal porque teve a apresentação de dois casos, um de um rapaz solteiro que adotou um adolescente e o outro era um casal homoafetivo que adotou quatro crianças.
Adorei quando ele disse assim: "Nosso perfil começou com duas crianças, aí pensamos, por que não três? Três? Por que não quatro? Sete anos. Por que não oito? nove?" Que é bem o processo mesmo. Você começa a entender melhor e acaba se perguntando por que tantos limites.
Além da apresentação dos casos, teve também a presença de uma psicóloga, uma advogada e uma juíza (Que é a nossa juíza). A psicóloga trouxe questões de que devemos aproveitar esse apoio para tirar dúvidas, dizer como nos sentimos, ao invés de tentar parecer perfeito. Concordo. Quem engravida da barriga passa por tanta coisa e não tem apoio nenhum. Nós devíamos aproveitar mais esse suporte. Difícil é você se abrir com uma pessoa que pode te interpretar mal e acabar te negando o sonho de ter filhos. Afinal, é um avaliação também.
A juíza falou de casos diferentes que ela teve, incluindo um bebê que foi largado em um formigueiro. (Como pode isso?) E deu a opinião dela em questões legais. Ela também lembrou a todos nós que o pedido de habilitação pode ser deferido ou indeferido. Ou seja, pode parecer estar dando tudo certo e no fim você não ganhar o ok. Nesse caso eu não sei como eu agiria. Mais uma esperança despedaçada. Não sei mesmo.
Fiquei sabendo também que a próxima deve valer dois carimbos. Se for verdade vou conseguir acabar ainda antes do que eu esperava. Dedos cruzados! Lá vamos nós.

E hoje é Dia das Crianças. Espero ano que vem poder passar este dia com as minhas crianças. Espero que este ano seja o último Dia das Crianças só de adultos. Minha prima já vai ter dado a luz, mas o bebê dela ainda vai ser tão pequenininho que não vai curtir dia das crianças ainda. Quem sabe próximo ano não fazemos um almoço aqui em casa, convidamos minha prima com o bebê e alugamos um pula pula? Isso, se eu tiver com meus 3 pimpolhos já! Fiquei animada!! =)

Próximo passo, mais uma palestra! E vai ser bem no dia que completamos 7 semanas. 7?? Uau. Isso tá ficando bom! =)

terça-feira, 11 de outubro de 2016

O susto

Quando acordei hoje, fui logo ver meu celular. Estava lá um aviso que a pessoa encarregada das marcações de visita tinha me marcado em uma publicação no Face. Quase infartei. Abrindo a publicação o texto começava com: " Infelizmente trago más notícias" Aí mesmo que comecei a surtar. Acontece que o abrigo havia mudado as normas e algumas pessoas seriam cortadas da lista de presença. Quando vi meu nome, não sabia se era uma lista de quem estava marcado ou de quem havia sido cortado. Depois de algum tempo, consegui me acalmar e ler que meu nome estava na lista dos agendados apesar das novas regras. Ufa!

Hoje é dia da palestra. Vamos sair cedo de casa para conseguir chegar lá com tempo de sobra. Minha amiga também vai com o marido dela. Devemos nos encontrar lá. Esse confirmou minha presença, não deve ter erro. O que me preocupa é que tem mais uma palestra essa semana que ainda não confirmou minha inscrição. Se até o dia nada acontecer, vou arriscar ir mesmo assim (como eu ia fazer com esta que vou hoje).

Amanhã devo ter mais notícias. Kisses


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

6 semanas

Toda vez que eu mencionava pro meu marido o desejo de ter mais de dois filhos ele sempre dizia: "Então vamos ter que comprar um fogão novo." A razão dele dizer isto é que nosso fogão de 4 bocas só funcionava duas há muito tempo. E duas bocas pra cozinhar pra 5, dizia ele, não dá! Mas essa semana estava eu usando o fogão quando a terceira boca estragou. Putz, pensei eu, vou morrer numa grana agora para comprar um fogão novo. Já tínhamos olhado e um novo custava 700 reais. Ainda tem que pagar pra converter pra gás de rua, então ia ficar tudo em 850,00 mais ou menos. Pronto! Lá se vão meus planos de comprar cama baú, armário aéreo, treliche, mesa redonda... Mas decidi chamar o técnico, como antigamente se fazia muito (rsrs) e pedir pra ele dar uma olhada. Acontece que o problema nem era tão ruim assim, e me custou 140,00 para deixar ele como novo. Até a quarta boca, que ia estragar em breve, foi trocada. Agora maridão não pode falar nada! Temos 4 bocas de fogão! =) Uhuuul! Porém, menos dinheiro na poupança das crianças. =(

Se eu tivesse grávida da barriga, com 6 semanas o coraçãozinho dele começaria a bater. Será que em algum lugar aí, o coração dos meus filhos já começaram a sentir a presença da mamãe chegando?

Essa semana que entra deve ser corrida. Além de ter um feriado no meio, tem reunião em dois dias da semana. Se bem que eu me inscrevi em uma que ainda não me deu o retorno. Dedos cruzados!

No grupo do Face muita gente está sendo "sorteada" com as entrevistas da assistente social e da psicóloga ou até mesmo com crianças e bebês. Espero estar andando bem mais rápido, esse processo. Pra quando eu chegar lá, demorar bem pouquinho.

Já estamos em Outubro. Já nem preciso de binóculos para ver o fim do ano e o início do ano que vem, basta espremer os olhinhos. Voa, tempo, voa!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Lista de Abrigos e Orfanatos

Ontem estava em um tédio enorme, e decidi começar uma coisa que eu já havia pensado anteriormente. Fiz uma lista de abrigos e orfanatos que eu posso ligar ou escrever uma vez habilitada.
Eu achei toda a informação que eu precisava no site Padrinho Nota 10. Se você clicar no link vai poder ver também.
Eu entrei em cada um deles para anotar nome, endereço, telefone e tipo de crianças que tem lá. Se fugia do meu perfil eu nem anotava. Vi todos da minha cidade e daquelas cidades bem próximas, que até o código de área do telefone é o mesmo, sabe? Anotei ao todo 4 folhas frente e verso. É muito abrigo! Como o meu perfil é até 9 anos saudável, não inclui nenhum abrigo de crianças especiais e nem de adolescentes. Alguns tem e-mail e site, enquanto outros não dão nem o número do telefone. Essa listinha vai pro meu envelope pardo!

Além disso, saiu minha escala de trabalho pros meses de outubro, novembro e dezembro. Eu havia passado os dias de grupo de apoio pro meu chefe poder ajeitar meu horário baseado nisso, mas graças a Deus ele me deu um horário bom (igual ao que tenho hoje) e no dia de reunião ou palestra do grupo de apoio ele vai me liberar. Isso era uma coisa que eu tinha muito medo, pois diminuir a carga horária significaria diminuir salário. E aí não daria pra guardar dinheiro.

Guardar dinheiro está sendo complicado, viu? Além dos dois pneus que tive que comprar porque os meus ressecaram, ainda vi ontem que meu fogão está indo pro brejo. Duas das quatro bocas já estavam ruins. Ontem percebi que mais uma estragou. E um fogão novo é um absurdo! Preferi chamar o técnico, mas de qualquer forma vai sair do dinheiro das crianças... =(

Bom, por hoje é só, pessoal!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A cara e a coragem

Nesse mundo novo que estou vivendo, tudo funciona se você tem a cara e a coragem de fazer certas coisas. Quem fica esperando, tentando fazer tudo bonitinho e certinho, aguarda pra sempre.
Meu colega ontem me deu uma dica muito valiosa. Ele me disse pra quando eu conseguir a habilitação, visitar os abrigos um por um, dizer meu perfil e fazer com que eles lembrem de mim. Pra quando acontecer algo (tipo liberar alguém próximo ao meu perfil), eles entrarem em contato comigo.

Chegando em casa resolvi também meter as caras e pedir uma exceção para visitar o abrigo um dia antes da segunda reunião em Cascadura. O máximo que eu ia levar era um NÃO. E o não eu já tinha, porque não tentar um SIM? Pedi e ela abriu essa exceção pra mim. Ou seja, mais uma vez mudou minha agenda. Devo conseguir entregar o papel todo preenchido no fórum no dia 20/10. E eu triste porque não conseguiria entregar tudo no dia 31, lembra? rsrsrs

Mas não pretendo parar de assistir as palestras e reuniões aí. Pretendo assistir muito mais, mas o papelzinho tem que estar já com os seis carimbos o mais rápido possível. As reuniões ajudam um pouco o tempo a passar. Você marca na sua geladeira, próxima reunião... e quando vê, vai dando baby steps até o grande dia!




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A família

Sábado eu fiquei um pouco distraída, pois fiz uma festinha surpresa pro meu marido. Só que ele folgou no dia e minha ideia de surpreende-lo depois do trabalho foi pro beleléu. Acabei tendo que contar pra ele da festa. Foi bom que ele me ajudou.
Decidimos não contar nada ainda pra família extensa sobre nosso processo de adoção, e só contar após habilitados. No meio da festa desci para pegar os muffins e fui surpreendida pela minha tia me abraçando e dizendo: "Ahhhn, então tem alguém querendo ser mamãe, né? " Arregalei os olhos, olhei pra minha mãe, mas ela não esboçou nada. Estranhei, se ela não contou, quem contou? Eu tentei fugir com os bolinhos mas as perguntas começaram. Eu falei sobre os fatos: crianças devolvidas, fases que a criança passa ao ser adotada, como adotar irmãos ajuda, e aproveitei pra perguntar como ela tinha feito para adotar minha prima. Mas naquela época tudo era bem diferente. Não tinha metade do que tem hoje.
A conversa mudou, e eu aproveitei para levar os bolinhos lá pro terraço, onde estava a maioria das pessoas.
Mas na verdade, ela foi super receptiva, ficou feliz pela nossa decisão. Eu vou ser sincera, nem havia pensado qual seria a posição dos outros em relação a isso. Eu estou tão certa do que estou fazendo que em momento algum pensei como os outros iriam reagir. E quando fui diagnosticada com Trombofilia, que o médico aconselhou a não ter filhos, adoção já foi comentada na família e houve boa recepção, então pra mim meio que já estava falado.
Mais tarde fui saber que quem tinha contado tinha sido meu próprio marido. Ela perguntou a ele, porque viu que eu havia confirmado minha presença numa palestra de adoção, aí quando ela disse que viu, ele contou tudo logo. E ele disse que ela fazia todas as perguntas, como se já fosse a psicóloga ou assistente social. kkkkkk. Foi bom pra ele praticar.

Falando em praticar... Sexta-feira a noite praticamos as possíveis perguntas dentro do carro enquanto voltávamos do shopping. Acho que vai dar tudo certo. Ele tá respondendo tudo com o coração e está me mostrando que está entendendo perfeitamente o cenário da adoção. Ele sabe que nada vai ser um mar de rosas e que vai dar trabalho sim. Ele também sabe que vamos ter que nos distanciar um pouco já que não seremos mais só nós dois. Por um lado vamos nos ver menos, por outro, vamos ter uma família juntos, realizando o meu sonho e o dele.

E vocês? Como contaram para a família de vocês? Quando foi? E qual foi o retorno?