Resolvi fazer um blog acompanhando dia a dia esta longa jornada que vai ser adotar uma criança (ou duas).
Sei que o processo vai ser longo e demorado, mas também sei que vai valer a pena. E que pode até passar mais rápido do que imagino.
Muitas vezes, queremos saber logo o fim da história, e nem nos damos conta de como foi gostoso passar por tanta adrenalina, incertezas e ansiedade no meio do caminho.
Eu sempre quis filhos. Muitos. Quando eu era criança, lá pros 7 anos de idade, fingia ter 3 filhos: Bianca, Daniel e Diego. Olha eles aí:
E eu tratava como filhos mesmo. Todos os dias de manhã eu preparava o almoço, tinha hora de banho e de dormir, eu levava tudo muito a sério. Toda vez que íamos no shopping eu entrava nas lojas de bebê e ficava namorando as coisas de neném. Eu era louca pra comprar um berço de verdade pros meus "filhos". Uma vez uma amiga minha quebrou o braço do Dieguinho e eu enfaixei ele e fui a procura de um hospital de brinquedos. Acho que se passou um ano e eu nesse tempo tratava como se ele estivesse doentinho, levava brinquedinhos pra ele e ele não saía do berço. Continuei a busca, mas ninguém tinha como consertar o bracinho dele. Foi aí que percebi que uma boneca similar tinha o mesmo braço. Trocamos em casa mesmo. Pronto! Estava curado! =)
Foi por volta desta época que minha tia decidiu adotar uma menina. E foi assim que conheci sobre adoção pela primeira vez.
A partir daí em todas minhas brincadeiras eu estava adotando (na verdade, na lista de espera). Aquela preparação para receber um novo filho, e em algumas brincadeiras era o dia de ir buscar a criança.
Me lembro de perguntar a minha mãe a partir de que idade eu poderia realmente ter um filho e ela me respondeu que por volta dos 15 anos meu corpo já poderia gerar um filho, mas não que eu devesse.
Aí veio a espera dos 15 anos. Ansiosa. Mas quando cheguei lá, entendi que era muito cedo. Resolvi esperar até os 18.
Aos 20 anos casei pela primeira vez. Foi quando a "preocupação"de não engravidar foi embora. Até houve um caso que foi muito estranho, onde minha médica suspeitou de aborto, mas não conseguiu provar.
Aos 24 casei-me pela segunda vez (agora sim, com meu maridinho lindo e fofo) e aquela esperança de que "Agora vai". Só que não foi. Tentei um tratamento homeopático, mas nada foi.
Pra ajudar, aos 26 tive trombose e aí veio a notícia do médico: Por causa de uma alteração genética, e mais uma condição hereditária, você tem trombofilia. (Isso é o risco de criar coágulos a qualquer momento se não medicada.) Com isso eu não recomendo que você engravide. Você vai passar por muitos abortos por causa da medicação e mesmo que você consiga manter a gravidez, você vai correr um risco muito grande de vida." Aí junta isso com a dificuldade que eu já estava tendo... já viu né?
Conversei com meu marido e decidimos adotar daqui a algum tempo. Marcamos uma idade. 35.
"35 meu ou 35 seu?" - perguntou ele, que é 1 ano mais velho que eu. - Ah, não sei. 35.
Na minha família, a pessoa mais nova é minha prima, que tem 26 anos. Tenho uma família que dá pra contar nos dedos. Mãe, 1 irmã casada sem filhos, 1 tia e 2 primas: uma casada sem filhos e a mais nova é solteira. E é isso. Minha irmã decidiu não ter filhos por opção. A próxima da lista seria eu, por ser a segunda mais velha.
Foi no dia 08 de Agosto de 2016 que recebi a notícia enquanto estava no trabalho que minha prima estava grávida. "Meninas, estou escrevendo essa mensagem pra dizer que em março a família vai aumentar. No momento é do tamanho de uma semente de melancia. Depois eu que vou virar a melancia."
Nesse momento me senti feliz (por ela) e triste (por mim). Me senti abandonada pelo destino. Descartada. Como se o destino tivesse parado de investir em mim e pulado a minha vez. Foi tipo um wake up call. Nós já sabíamos que íamos adotar, mas estava na hora de ver quanto tempo ia demorar o processo. Pesquisei na internet e vi que após habilitada uma pessoa poderia esperar até 8 anos por uma criança. O.O Começando o processo agora, aos 32 anos, se demorasse 8 anos eu estaria com 40!!
E como fazer pra resolver minha situação de querer muitos filhos? Ia entrar na fila duas vezes? Três? Até lá já teria passado tempo demais!
Conversamos e decidimos então adotar irmãos. Isso deveria resolver dois coelhos com uma cajadada só. A questão de eu querer muitos filhos e a questão de diminuir o tempo da espera. Começamos então a nos mexer.
Que história mais fofa!S2 Adorei! Quem sabe até os 35 seus filhos já não estarão em seus braços?
ResponderExcluirTorcendo aqui!
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